114# the end, but it continues.

Posted: November 28, 2012 in Uncategorized

O Syncretic Polaroids muda de poiso e ares: http://splinteredgirl.tumblr.com/. Obrigada por todos estes anos em que me acompanharam. Continuem a fazê-lo!!

Quando os dias têm sabor a sombra e toque a chuva; quando a cabeça não nos diz mais nada a não ser palavras de água escura e mole; quando os lábios ficam insossos de coisas que nunca se disseram e perguntas que jamais se reencontram – fico no silêncio. Aquele que fica entre o barulho das coisas insípidas e o assobio dos dedos trémulos. Roo as unhas. Não encontro metafísica mais barata para a exatidão de um desespero sem ansiolíticos. E o cansaço corrói-me as veias. E apenas os meus lençóis, e a minha cama, se me apagam as memórias. Hoje roo as unhas e dói-me as costas. De nervoso miudinho e de tudo aquilo que poderia ter sido.

Acho que estou a passar por pequenas crises de ansiedade.

112# medo do escuro.

Posted: September 24, 2012 in .disorder material.
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Desde que me lembro, vivem debaixo da minha cama um bicho-papão e um monstro-das-cuecas-rotas a quem eu dava bolachas antes de dormir. Passaram-se décadas. Mudei de casa, e eles mudaram comigo. Ainda durmo de luz acesa, os olhos brilhantes do bicho-papão no escuro sempre assustaram o monstro.

Na noite em que partiste e levaste tudo contigo deixaste a escova de dentes. Espetei-a na garganta e deixei um bilhete: «esqueces-te disto»…

(era eu)

110# a almofada.

Posted: May 29, 2012 in .disorder material.
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Quando me virei para a direita na cama que partilhei contigo, não te senti. A tua respiração sufocada pela almofada com que te apertava a face deixou de se ouvir aos poucos. Finalmente fiquei livre de mim.

Tinha consulta marcada no dentista ontem. Pelos vistos os meus dentes não gostam de cá andar, ou então andam demasiado preocupados com o mundo, que se enchem de problemas. Mas não fui.

Não fui e deixei a hora passar. No fundo, tive medo. Aquela broca que faz aquele barulho que nos derrete o esmalte e que nos deixa um sabor amargo na boca, coloca-me num estado de ansiedade que nem eu consigo explicar.

No entanto, entre o ir e o não ir, tive um momento em que pensei… bem… quando o dentista nos trata os dentes, anestesia-nos a gengiva. Anestesia que nos chega até à raiz. Aí, ele faz tudo o que quer: parte, fura, tudo sangra, e nós, deitados naquela marquesa, de boca aberta e a olhar para o teto, a contar as manchas de bolor, pensamos sobre a vida e nem sentimos absolutamente nada.

O não-sentir não nos causa mossa nenhuma (aparte do momento em que a anestesia começa a deixar de fazer efeito). Estive mesmo para ir e para lhe dizer: «Dr. Nuno, pode-me tratar hoje do coração? É que não me doem os dentes e preciso de uma anestesia bem aqui entre os pulmões».

Ele diria aquelas coisas inteligíveis à assistente, pegaria na seringa e espetaria diretamente no centro do peito, ligeiramente para a esquerda. Eu virar-me-ia para ele e faria a pergunta do costume: «Dr. É preciso mais alguma coisa?». E ele dir-me-ia «Vou-lhe passar uma receita. É só tomar estes comprimidos de 12 em 12 horas, durante três dias e nem vai sentir mais nada».

Eu agradeceria, de sorriso nos lábios, ainda dopada da anestesia direta ao sentimento, de alma refeita, e coração desfragmentado.

Se fosse assim, era mais fácil. Porque raio é suposto ser ao contrário?

108# os sonhos.

Posted: April 9, 2012 in .disorder material.
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Há dias que sonhamos sobre coisas e outros que não sonhamos sobre nada. Ou melhor, sonhamos, mas há qualquer coisa que nos impede de nos recordarmos. E com os pesadelos? E mais… como conseguimos encontrar a linha que separa os sonhos dos pesadelos? Pronto. Admito, não falo de sonhos nem pesadelos, a dormir, de olhos fechados. Falo quando fechamos os olhos e fingimos que dormimos, porque estamos demasiado ocupados a abrir o coração.